segunda-feira, 30 de julho de 2007

PEQUENA HISTÓRIA PROVAVELMENTE IRRELEVANTE

Na exposição com que a Gulbenkian faz o balanço do seu cinquentenário - 50 Anos de Arte Portuguesa, até Setembro, no museu - há pequenas pérolas que valem bem uma visita atenta. É uma reunião de alguns trabalhos dos bolseiros da fundação, com as obras resultantes das bolsas atribuídas e muito material de documentação: os formulários de inscrição, as fotografias, os relatórios através dos quais os bolseiros iam dando conta do que andavam a fazer pelas ruas de Paris ou Londres. Vale mesmo a pena lê-los com atenção (não perder o de Mário Cesariny, por favor). Tivemos a sorte de ter uma fundação que concedia bolsas a artistas que andavam pela Europa e «apenas» viam exposições, assistiam a conferências, frequentavam cursos, faziam leituras e reflectiam sobre tudo aquilo que viam e/ou liam. Tivemos a sorte de ter uma fundação que se satisfazia com formulários aparentemente vagos e relatórios aparentemente desprovidos de conteúdo. Tivemos a sorte de ter uma fundação que concedia bolsas a artistas, esperando que um dia estes pudessem vir a criar uma obra-prima. Em suma, tivemos a sorte de ter uma fundação que não sofria de uma certa esquizofrenia reguladora a qual - fazendo parte da tradição europeia - parece que se revela mais nuns países do que noutros. Resta acrescentar que aqueles bolseiros até criaram bastantes obras-primas…

SBL
A gripe da regulação

No doce, apesar de algo ventoso, fim de tarde da última sexta-feira, no parque que envolve o palacete de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, enquanto José Sócrates e o seu colega francês, François Fillon, discutiam a reforma institucional da UE, a energia e alterações climáticas, África e o relançamento do projecto Galileo, jornalistas e assessores entretinham-se em curtas conversas. Foi nessa onda que este bloguista perguntou a Marina Pimentel o que tinha vindo Fillon fazer a Lisboa. A resposta da colega da Rádio Renascença deixou-me completamente esclarecido: «A Presidência é a casa da sogra. Vem cá toda a gente.» A conversa prosseguiu e Marina quis saber o endereço do blogue dos jornalistas da VISÃO. Na companhia de David Damião, assessor de Imprensa de Sócrates, passou-se a falar de blogues em geral. Foi então que David opinou: «Isto [os blogues] devia ser regulado». Logo ali ficou claro que o jornalista emprestado a São Bento estava também atingido pela gripe da regulação. Não sabemos se ficou curado, mas a verdade é que foi sujeito a uma intensa dose de manifestações de indignação e incredulidade. Afinal, a visita de Fillon sempre serviu para alguma coisa.

PV

sexta-feira, 27 de julho de 2007

A FRASE DO DIA

«Vamos deixar de chorar e de ser os calimeros da Europa».

José Manuel Cerqueira, director-geral da Revigrés, em entrevista ao Público de hoje

SBL

quinta-feira, 26 de julho de 2007

POST SILLY SEASON*

Segundo um estudo divulgado esta semana pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound), Portugal é o sétimo país da União Europeia onde os trabalhadores têm mais dias de férias e feriados. Eis o ranking:

Súecia: 43
Alemanhã: 40
Itália: 39
Luxemburgo: 38
Dinamarca: 38
Áustria: 37
Portugal: 36,5

(...)

Estónia: 26
Letónia: 27
Irlanda: 29
Hungria: 28

*...Ou como, afinal, em alguns indicadores, não estamos no final da lista...

SBL

terça-feira, 24 de julho de 2007

PARA QUE SERVE UMA PRESIDÊNCIA?

«Pode ser que, depois das presidências das Uniões Europeias, José Sócrates refine.»

Clara Ferreira Alves, Eixo do Mal, SIC Notícias

SBL

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O Tratado ilegível
Nada como uma CIG (Conferência Intergovernamental) para lembrar que a legitimidade original da União Europeia reside nos seus Estados-membros. Assim, para fazer passar um novo Tratado a 27, é preciso que os cidadãos se convençam de que isso de artigos e anexos é só para iluminados. Como escreveu Miguel Monjardino no Expresso de 21 de Julho, «qualquer progresso (...) passa pelo regresso a um texto complexo e, de preferência, incompreensível para a maioria das pessoas». Se «a boa fé e o princípio da cooperação leal» destacados hoje, na abertura da CIG, em Bruxelas, pelo presidente do Conselho da UE, Luís Amado, estiverem presentes na CIG, o verdadeiro problema da Constituição reciclada em Tratado Reformador (ou Reformado ou da Reforma) virá só mesmo do processo de ratificação. Mas com a ajuda de um texto complexo e ilegível tudo se resolverá.
PV

sexta-feira, 20 de julho de 2007

LIÇÃO DE DIREITO

Augusto Santos Silva resolveu reagir às declarações da comissária Viviane Reding: «A Comissão Europeia pode ter todas as opiniões que quiser, mas não valem mais do que a Constituição da República Portuguesa». Com toda a humildade, eu (que sempre fiz boa figura nas cadeiras jurídicas) ofereço-me para explicar ao senhor ministro o significado do primado do Direito Comunitário.

SBL