segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE DESPEDIDA

A presidência correu-nos bem. Tratado assinado (António Barreto diz que Sócrates foi uma “barriga de aluguer” de Merkel e, se calhar, não anda longe da verdade), cimeira UE-África concretizada e Sócrates (“o provinciano”, o próprio classificou-se) tornado num-dos-rostos-da-nova-geração-de-líderes-europeus. Na recta final, tivemos a sorte de o Kosovo não nos ter calhado na rifa. Vem aí a Eslovénia que, diga-se de passagem, deve perceber muito mais daquilo do que nós. E a seguir, a seguir, senhores e senhoras, meninos e meninas, virão monsieur Sarkozy, madame Bruni-Tedeschi e o seu discreto charme burguês. Aí, sim, é que veremos o que é espectáculo. I’m looking forward to see it. Conforme prometido, sem grande honra nem glória, o Cais da Europa fica-se por aqui. Pode ser que volte um dia destes. Pode ser que não.

SBL

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A CIMEIRA, À DISTÂNCIA

Para quem (como eu) acompanhou à distância a cimeira do último fim-de-semana, o happening UE-África poderia resumir-se da seguinte forma: um primeiro-ministro a aproveitar todos os pedacinhos de glória, uma chanceler que deveria encher os europeus de orgulho e dois ditadores com demasiado destaque mediático. Um deles (Mugabe), no seu território, mandou censurar um texto de Durão Barroso. O outro (Kadhafi), em território alheio, quis censurar a televisão pública. Entre um e outro, venha o diabo - e escolha.

SBL

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

'LA FRANCE'



A Patrícia não falou do tema de capa da edição europeia da Time desta semana, mas vale a pena olhar para ele. A tese do artigo é a de que a terra de Truffaut e de Godard, de Proust e de Camus, de Piaf e de Aznavour, de Debussy e de Ravel está, de alguma maneira, a tentar voltar a ser uma potência à escala global. A França («la France») de regresso no domínio da cultura tal como na moda, nos vinhos e na cozinha. As políticas de Sarkozy podem ser uma parte da explicação, mas o resto, parece-me, explica-se pela história da Europa do último século. Da humilhação pós-Plano Marshall à UE à procura de um lugar na geo-estratégia mundial…

SBL

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

PERDOA-ME

Com a Administração Bush a chegar ao fim, aproximam-se os dois lados do Atlântico. Não, já não é só a proverbial apetência de Nicolas Sarkozy para os ícones da cultura popular americana (ipods, t-shirts da polícia de Nova Iorque...). É a ida de Sarko à Casa Branca, é a visita da senhora Merkel ao Texas. Os líderes europeus estão a ser mais bem recebidos e, por isso, como dizia há dias a The Economist, a velha Europa está de regresso à América. Voltemos, então. Estamos perdoados.

SBL

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

CALL ME JOSÉ MANUEL BARROSO



SBL
HABEMOS TRATADO

Parece que na próxima sexta-feira, dia de aniversário da Proclamação da República portuguesa, temos tratado. Traduzido e publicado online. Terá sido tudo assim tão «simplex»?

SBL

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

POST (ALGO) PESSIMISTA

Lobo Antunes (o Manuel, que isto é um blogue sobre assuntos europeus) estará agora mesmo a começar um debate no Centro de Informação Jacques Delors sobre A Informação ao Cidadão sobre a Presidência Portuguesa da UE. Pergunto, com uma pontinha de ironia: o que sabe o cidadão sobre a presidência portuguesa da UE? O que sabe o cidadão sobre a Europa?

SBL

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

WE ARE BACK (AND SO IS POLAND)

Já vai sendo tempo de voltar. O Cais continua com os mesmos marinheiros (alguns ainda estão a regressar...) e a Europa também. Depois de ir a Kiev, José Sócrates passa amanhã quatro horas em Varsóvia para averiguar do grau de probabilidade de termos ou não cimeira em Outubro. Tratado oblige.

SBL

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A VER O MAR



Boas férias e boas viagens. Vemo-nos num dos cais da Europa.

SBL

segunda-feira, 30 de julho de 2007

PEQUENA HISTÓRIA PROVAVELMENTE IRRELEVANTE

Na exposição com que a Gulbenkian faz o balanço do seu cinquentenário - 50 Anos de Arte Portuguesa, até Setembro, no museu - há pequenas pérolas que valem bem uma visita atenta. É uma reunião de alguns trabalhos dos bolseiros da fundação, com as obras resultantes das bolsas atribuídas e muito material de documentação: os formulários de inscrição, as fotografias, os relatórios através dos quais os bolseiros iam dando conta do que andavam a fazer pelas ruas de Paris ou Londres. Vale mesmo a pena lê-los com atenção (não perder o de Mário Cesariny, por favor). Tivemos a sorte de ter uma fundação que concedia bolsas a artistas que andavam pela Europa e «apenas» viam exposições, assistiam a conferências, frequentavam cursos, faziam leituras e reflectiam sobre tudo aquilo que viam e/ou liam. Tivemos a sorte de ter uma fundação que se satisfazia com formulários aparentemente vagos e relatórios aparentemente desprovidos de conteúdo. Tivemos a sorte de ter uma fundação que concedia bolsas a artistas, esperando que um dia estes pudessem vir a criar uma obra-prima. Em suma, tivemos a sorte de ter uma fundação que não sofria de uma certa esquizofrenia reguladora a qual - fazendo parte da tradição europeia - parece que se revela mais nuns países do que noutros. Resta acrescentar que aqueles bolseiros até criaram bastantes obras-primas…

SBL
A gripe da regulação

No doce, apesar de algo ventoso, fim de tarde da última sexta-feira, no parque que envolve o palacete de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, enquanto José Sócrates e o seu colega francês, François Fillon, discutiam a reforma institucional da UE, a energia e alterações climáticas, África e o relançamento do projecto Galileo, jornalistas e assessores entretinham-se em curtas conversas. Foi nessa onda que este bloguista perguntou a Marina Pimentel o que tinha vindo Fillon fazer a Lisboa. A resposta da colega da Rádio Renascença deixou-me completamente esclarecido: «A Presidência é a casa da sogra. Vem cá toda a gente.» A conversa prosseguiu e Marina quis saber o endereço do blogue dos jornalistas da VISÃO. Na companhia de David Damião, assessor de Imprensa de Sócrates, passou-se a falar de blogues em geral. Foi então que David opinou: «Isto [os blogues] devia ser regulado». Logo ali ficou claro que o jornalista emprestado a São Bento estava também atingido pela gripe da regulação. Não sabemos se ficou curado, mas a verdade é que foi sujeito a uma intensa dose de manifestações de indignação e incredulidade. Afinal, a visita de Fillon sempre serviu para alguma coisa.

PV

sexta-feira, 27 de julho de 2007

A FRASE DO DIA

«Vamos deixar de chorar e de ser os calimeros da Europa».

José Manuel Cerqueira, director-geral da Revigrés, em entrevista ao Público de hoje

SBL

quinta-feira, 26 de julho de 2007

POST SILLY SEASON*

Segundo um estudo divulgado esta semana pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound), Portugal é o sétimo país da União Europeia onde os trabalhadores têm mais dias de férias e feriados. Eis o ranking:

Súecia: 43
Alemanhã: 40
Itália: 39
Luxemburgo: 38
Dinamarca: 38
Áustria: 37
Portugal: 36,5

(...)

Estónia: 26
Letónia: 27
Irlanda: 29
Hungria: 28

*...Ou como, afinal, em alguns indicadores, não estamos no final da lista...

SBL

terça-feira, 24 de julho de 2007

PARA QUE SERVE UMA PRESIDÊNCIA?

«Pode ser que, depois das presidências das Uniões Europeias, José Sócrates refine.»

Clara Ferreira Alves, Eixo do Mal, SIC Notícias

SBL

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O Tratado ilegível
Nada como uma CIG (Conferência Intergovernamental) para lembrar que a legitimidade original da União Europeia reside nos seus Estados-membros. Assim, para fazer passar um novo Tratado a 27, é preciso que os cidadãos se convençam de que isso de artigos e anexos é só para iluminados. Como escreveu Miguel Monjardino no Expresso de 21 de Julho, «qualquer progresso (...) passa pelo regresso a um texto complexo e, de preferência, incompreensível para a maioria das pessoas». Se «a boa fé e o princípio da cooperação leal» destacados hoje, na abertura da CIG, em Bruxelas, pelo presidente do Conselho da UE, Luís Amado, estiverem presentes na CIG, o verdadeiro problema da Constituição reciclada em Tratado Reformador (ou Reformado ou da Reforma) virá só mesmo do processo de ratificação. Mas com a ajuda de um texto complexo e ilegível tudo se resolverá.
PV

sexta-feira, 20 de julho de 2007

LIÇÃO DE DIREITO

Augusto Santos Silva resolveu reagir às declarações da comissária Viviane Reding: «A Comissão Europeia pode ter todas as opiniões que quiser, mas não valem mais do que a Constituição da República Portuguesa». Com toda a humildade, eu (que sempre fiz boa figura nas cadeiras jurídicas) ofereço-me para explicar ao senhor ministro o significado do primado do Direito Comunitário.

SBL
INGLÊS TÉCNICO

Depois do eterno «mun ami Mitérrã» de Soares, José Sócrates ensaiou um «Tóni» à lisboeta dirigido ao fleumático Blair. As elites políticas dão razão a Saramago: há um potencial ibérico de má pronúncia. Quem é que pode, agora, gozar com o «Óliber Estône» (nome atribuído pelos falantes de castelhano ao realizador de Assassinos Natos)?

PP
OS SALTOS ALTOS DE CONDOLEEZA

Diz o El País que ninguém avisou a secretária de Estado Rice para «os perigos do endemoinhado empedrado lisboeta». O «salto agulha» da principal figura da Administração Bush como metáfora da ineficiência das relações transatlânticas?

PP

quinta-feira, 19 de julho de 2007

A VERDADE INCONVENIENTE

António Câmara foi um dos oradores convidados na reunião de ministros da Ciência da UE, que hoje se iniciou em Lisboa. E voltou a sublinhar aquilo que alguns ouvidos europeus continuam a preferir ignorar: no ranking das 100 melhores universidades, 80% são americanas, 20% são europeias. Por isso é que eu não percebo onde raio é que alguns europeus vão buscar coragem para falar de cima do pedestal para o lado de lá do Atlântico...

SBL
O GUARDA-REDES ANGUSTIADO

Com Lisboa em estado de sítio (helicópteros a sobrevoar a cidade, trânsito cortado e polícia por todo o lado), o jornal alemão Tageszeitung publicou uma entrevista com Mário Soares. E é delicioso ler as maldades do «velho» Soares ao defender que teria sido bem melhor se Angela Merkel tivesse conduzido até ao fim as negociações do tratado: «A Alemanha, como maior país da União Europeia, passou a bola a um país pequeno e relativamente fraco, em vez de a enfiar na baliza». Se Sócrates não for bem sucedido, acha Soares, «deixará de haver Europa». Começará agora o primeiro-ministro português a ficar angustiado com os pontas-de-lança polaco e britânico?

SBL